Cuíca

Foto: Roberto Murta/Bicho do Mato

Ordem: Didelphimorphia
Família: Didelphidae
Nomes comuns: cuíca, marmosa

Categoria de risco de extinção e critérios
Vulnerável (VU) B1ab(i,ii,iii)

Justificativa
Marmosops paulensis ocorre na Mata Atlântica dos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. É uma espécie rara localmente, cujas populações estão restritas à floresta ombrófila densa de altitudes acima de 800 m, fortemente afetada pela fragmentação e alteração desta vegetação. A extensão de ocorrência da espécie é disjunta e restrita a uma área de 5.200 km² (quando somados os fragmentos aonde ocorrem). Além disso, nos últimos anos a espécie tem sido registrada apenas em locais situados em altitudes acima de 1.200 m, restringindo ainda mais sua extensão de ocorrência. Por estas razões, a espécie foi categorizada como Vulnerável (VU) B1ab(i,ii,iii).

Outros nomes aplicados ao táxon
Marmosa incana paulensis Tate, 1931; [Marmosops incanus] paulensis Gardner, 1993.

Distribuição geográfica
Restrita ao leste do Brasil, nos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Possivelmente presente no estado do Espírito Santo, na porção contígua a Minas Gerais. Apresenta simpatria com Marmosops incanus, porém tem uma distribuição geográfica bem mais restrita do que esta espécie e é restrito a florestas montanas de mais de 800 m de altitude. Para estimar a extensão atual de ocorrência da espécie, foi considerada a distribuição geográfica descrita por Mustrangi & Patton. Desta distribuição, foram consideradas as áreas acima de 800 m em remanescentes de Mata Atlântica; portanto, todas as áreas do polígono abaixo de 800 m foram excluídas por se tratar de uma espécie altomontana. Desta forma, a extensão de ocorrência da espécie é disjunta e foi estimada em 5.200 km².

História natural
Tamanho pequeno, pesando entre 16 e 70 gramas. Medem entre 243 e 365 mm na cabeça e corpo e entre 145 e 212 mm na cauda. Possuem anéis escuros bem definidos ao redor dos olhos, pelagem dorsal cinza-amarronzada com tons avermelhados, ventre homogeneamente branco ou creme, cauda marrom-acinzentada na porção proximal e despigmentada na porção distal. Não possuem marsúpio. Ocupam florestas maduras e secundárias contínuas,sendo fortemente afetados pela fragmentação de habitat, não estando presentes mesmo em paisagens fragmentadas muito florestadas. São restritos à Mata Atlântica Montana acima de 800 metros; são escansoriais e se alimentam de artrópodes, frutos, flores e pequenos vertebrados. A reprodução ocorre de setembro a março. A espécie é semélpara, pois após o período reprodutivo em dezembro ou janeiro todos os machos desaparecem da população. Fêmeas possuem de sete a onze mamas e um ninho com quatro filhotes foi encontrado no PE Intervales, estado de São Paulo.

População
A espécie é bem distribuída nas matas contínuas de sua área de ocorrência, porém não há registros em áreas fragmentadas e tende a ser rara nas matas contínuas onde ocorre. Sua densidade populacional estimada em três matas contínuas do planalto paulista foi de zero, zero e 0,36 indivíduos por hectare. Sua distribuição é restrita a áreas montanas, pelo menos a mais de 800 m de altitude, e a espécie é fortemente afetada pela fragmentação e alteração desta vegetação, o que sugere que suas populações estejam severamente fragmentadas e isoladas. Tendência populacional: declinando.

Ameaças
A espécie é fortemente afetada pela fragmentação da floresta e não ocorre em áreas abertas ou alteradas. Portanto, o desmatamento, que ocorre na área de distribuição da espécie em função da instalação de áreas para agricultura, silvicultura e moradia humana, constitui ameaça à sua conservação. Ademais, por se tratar de uma espécie montana espera-se que mudanças climáticas possam afetar negativamente a qualidade do seu habitat e a sua população.

Presença em unidades de conservação
Espírito Santo/Minas Gerais: PARNA Serra do Caparaó; Minas Gerais/Rio de Janeiro: PARNA Itatiaia; Rio de Janeiro: PARNA Serra dos Orgãos; São Paulo: PE Intervales.

Pesquisas
As pesquisas necessárias para assegurar a conservação desta espécie incluem a investigação de suas respostas às mudanças climáticas e do grau de isolamento entre as populações remanescentes. Estudos visando melhores descrições morfológicas externas desta espécie são desejáveis, pois em campo há certa dificuldade de discriminar M. paulensis de M. incanus.

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