Cuíca-de-colete

Foto: Júlia Laterza Barbosa

Ordem: Didelphimorphia
Família: Didelphidae
Nomes comuns: cuíca, cuíca-de-colete, cuíca-amazônica

Categoria de risco de extinção e critérios
Criticamente em Perigo (CR) A2c

Justificativa
Caluromysiops irrupta tinha, até recentemente, apenas uma ocorrência no Brasil, uma coleta em 1964, no estado de Rondônia, em uma área atualmente degradada. Após a avaliação da espécie, surgiu um novo registro, no estado do Mato Grosso. Esforços de coleta têm sido realizados no Acre e áreas fronteiriças do Amazonas, bem como resgates de fauna em áreas de inundação e supressão de vegetação em Rondônia, sem obter registros da espécie. Rondônia é o estado proporcionalmente mais desmatado da Amazônia brasileira e a pressão sobre as áreas florestadas remanescentes é ainda muito forte. A distribuição global da espécie parece ser disjunta, com populações no sul do Peru e o registro em Rondônia distantes cerca de 900 km, o que levanta a suspeita de que a população do Brasil encontra-se isolada. Por estas razões, a espécie é classificada como Criticamente em Perigo (CR) pelo critério A2c.

Outros nomes aplicados ao táxon
Marmosa incana paulensis Tate, 1931; [Marmosops incanus] paulensis Gardner, 1993.

Distribuição geográfica
Ocorre no nordeste e sudeste do Peru, no extremo sul da Colômbia e no extremo oeste do Brasil. As localidades no nordeste do Peru e sul da Colômbia podem ser resultado da introdução de exemplares e por isso, optou-se por desconsiderar estes pontos na elaboração do mapa de distribuição apresentado aqui. A espécie era conhecida de um único registro no Brasil, de 1964, no alto rio Jaru, no estado de Rondônia. Esforços intensos de coleta no Acre e Amazonas não detectaram a espécie, assim como coletas em área de inundação e supressão de vegetação em Rondônia (L. Godoy & M.N.F. da Silva, obs. pess., 2012). Recentemente, houve um novo registro, em Paranaíta, no estado do Mato Grosso, distante 718 km a leste do único registro anteriormente conhecido no país. O espécime foi obtido durante um resgate de fauna próximo às margens do rio Paranaíta, em floresta madura, mas próxima a áreas de pasto e ao arco de desmatamento.

História natural
Caluromysiops irrupta é um marsupial de médio porte, com comprimento da cabeça e corpo variando de 250 a 330 mm e comprimento da cauda de 310 a 340 mm. A pelagem é marrom-acinzentada no dorso e mais clara nas laterais, sendo que entre os olhos e o focinho existem manchas marrons indistintas. A espécie se destaca por um par de manchas escuras que tem início no dorso de cada mão e continuam pela porção interna dos membros anteriores até alcançarem os ombros, onde se encontram e se estendem posteriormente até as ancas. Sua cauda é preênsil, coberta por pelos ligeiramente mais escuros que os corporais em dois a três quartos de seu comprimento. As fêmeas apresentam marsúpio. São animais noturnos, solitários e arborícolas, utilizando principalmente o dossel, raramente descendo até os estratos médios da floresta. Classificados como frugívoros-onívoros, podem se alimentar de néctar na estação seca. Só são conhecidos de florestas primárias, embora existam registros de ocorrência em bambuzais adjacentes à floresta. A longevidade é de cerca de sete anos em cativeiro e dois filhotes podem ser observados no marsúpio a cada prole.

População
A espécie é extremamente rara, embora possa ser localmente comum, fora do Brasil, em alguns anos. Arita et al. citam dados de densidade de 10 indivíduos/km² para a espécie. Há poucos exemplares depositados em coleções zoológicas (menos de 30, segundo Emmons & Feer). Tendência populacional: desconhecida.

Ameaças
As populações no Peru estão relativamente bem protegidas. Entretanto, o estado de Rondônia, onde há registro da espécie no Brasil, é, proporcionalmente, o mais desmatado da Amazônia brasileira e a pressão sobre as áreas florestadas remanescentes é ainda muito forte.

Presença em unidades de conservação
Desconhecida.

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