Catita

Foto: Júlia Laterza Barbosa

Ordem: Didelphimorphia
Família: Didelphidae
Nome comum: Catita

Categoria de risco de extinção e critérios
Em Perigo (EN) A2c

Justificativa
No Brasil, Thylamys macrurus ocorre apenas no estado do Mato Grosso do Sul, aparentemente restrito a fisionomias florestadas do Cerrado e Pantanal. Estimou-se uma perda populacional de 57,8% nos últimos 10 anos, causada pela perda de habitat para pastagens e agricultura. Por estas razões, a espécie é classificada como Em Perigo (EN) A2c.

Outros nomes aplicados ao táxon
[Didelphys] macroura Illiger, 1815 (nomen nudum); [Didelphys] marmota Oken, 1816 (nome inválido); D[idelphys]macrura Olfers, 1818; Didelphis grisea Desmarest, 1827; [Didelphys (] Grymaeomys[)] griseus: Burmeister,1856; T[hylamys]. marmota: Allen & Chapman, 1897; [Didelphys (Marmosa)] grisea: Trouessart, 1898; Marmosa grisea: Bertoni, 1914; [Didelphis (Thylamys)] grisea: Matschie, 1916; Marmosa marmota marmota: Tate, 1933; Marmosa pusilla: Hershkovitz, 1959; Marmosa (Thylamys) grisea: Kirsch & Calaby, 1977; [Thylamys] griseus: Reig, Kirsch & Marshall, 1987; T[hylamys]. macrura: Gardner & Creighton, 1989; Thylamys grisea: Contreras & Contreras, 1992.

Notas taxonômicas
Creighton & Gardner531 consideram a espécie monotípica.

Distribuição geográfica
Ocorre no Paraguai e oeste do estado do Mato Grosso do Sul e divisa do Mato Grosso do Sul com São Paulo. O polígono compreendendo toda a extensão de ocorrência (EOO) da espécie tem 85.200 km², dos quais, em 2011, restavam apenas 13.140 km², calculados com base em mapas de remanescentes naturais extraídos de MMA/IBAMA. Desta forma, a espécie perdeu 72.060 km² de habitat para a instalação de agriculturas e pastagens.

Distribuição geográfica
Ocorre no nordeste e sudeste do Peru, no extremo sul da Colômbia e no extremo oeste do Brasil. As localidades no nordeste do Peru e sul da Colômbia podem ser resultado da introdução de exemplares e por isso, optou-se por desconsiderar estes pontos na elaboração do mapa de distribuição apresentado aqui. A espécie era conhecida de um único registro no Brasil, de 1964, no alto rio Jaru, no estado de Rondônia. Esforços intensos de coleta no Acre e Amazonas não detectaram a espécie, assim como coletas em área de inundação e supressão de vegetação em Rondônia (L. Godoy & M.N.F. da Silva, obs. pess., 2012). Recentemente, houve um novo registro, em Paranaíta, no estado do Mato Grosso, distante 718 km a leste do único registro anteriormente conhecido no país. O espécime foi obtido durante um resgate de fauna próximo às margens do rio Paranaíta, em floresta madura, mas próxima a áreas de pasto e ao arco de desmatamento.

História natural
Thylamys macrurus é a maior espécie do gênero, com comprimento total variando de 101 a 126 mm, comprimento da cauda entre 136 e 15 mm e massa corporal variando de 30 a 55 gramas. Existem evidências de dimorfismo sexual, com machos maiores do que as fêmeas. Possui uma faixa de pelos escurecidos ao redor dos olhos, pelagem acinzentada no dorso e branco-amarelada no ventre; a cauda intumescida em alguns períodos do ano serve como reservatório de gordura; não possui marsúpio. O cariótipo é diplóide, com 2n = 14, FN = 20531. Thylamys macrurus é insetívoro-onívoro, crepuscular e escansorial. No Brasil, ocorre em áreas de cerrado censo estrito e cerradão, florestas deciduais. No Paraguai, ocorre em florestas semidecíduais. Ocorrem no Pantanal, porém não em áreas inundadas. De acordo com Cáceres et al., a espécie tem adaptações funcionais típicas de espécies de ambientes abertos, e sua ocorrência em áreas florestadas se deve a um modo de vida escansorial. Thylamys macrurus é pouco tolerante a perturbações ambientais. A espécie é provavelmente poligâmica e a reprodução é altamente sazonal, com estação de acasalamento e nascimentos na estação seca. A razão sexual observada por Andreazzi et al.62 foi de 13M:11F. Não há dados sobre o tempo geracional de T. macrurus, mas seguindo o padrão de tempo geracional conhecido para espécies de marsupais sul-americanos do mesmo porte, este tempo não deve ser superior a dois anos para esta espécie.

População
Sua abundância relativa parece variar entre áreas de estudo. Thylamys macrurus foi o marsupial de pequeno porte mais comum em Dois Irmãos do Buriti, Mato Grosso do Sul339. Por outro lado, a espécie foi capturada raramente na Serra da Bodoquena338 e no Pantantal da Nhecolândia62, também no Mato Grosso do Sul. A partir da redução de habitat calculada na área de distribuição da espécie, e assumindo uma taxa contínua de perda de habitat desde o início do desmatamento do Cerrado, no início da década de 1970, estimou-se que a cada década foram perdidos 18.015 km2 de vegetação nativa. Desta forma, a distribuição da espécie se restringia a 31.155 km2 após três décadas de desmatamento, ou seja, no início da década de 2000. Com a perda de mais 18.015 km2 desde então, estima-se que a espécie perdeu 57,8% do seu habitat restante nos últimos 10 anos. Como esta espécie utiliza fisionomias florestadas do Cerrado e Pantanal, suspeita-se que esta perda de habitat tenha causado uma redução populacional equivalente (57,8% nos últimos 10 anos). Tendência populacional: declinando.

Ameaças
No estado do Mato Grosso do Sul, a maior ameaça à espécie é a conversão do habitat para pastagens e agricultura (G.L Melo & J. Spongiado, obs. pess., 2012).

Presença em unidades de conservação
Mato Grosso do Sul: PARNA da Serra da Bodoquena.

Pesquisas
Efeitos da fragmentação sobre as populações estão em andamento (G.L. Melo & N. Cáceres, dados não publicados).

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