Mamíferos em Extinção

O Brasil possui uma das maiores riquezas de mamíferos do mundo, com mais de 700 espécies reconhecidas, pertencentes a 12 ordens. O processo de avaliação do estado de conservação dos mamíferos brasileiros contou com a participação de quatro Centros de Pesquisa e Conservação do Instituto Chico Mendes: Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros – CENAP (Carnivora, Artiodactyla, Perissodactyla, Rodentia, Lagomorpha e Didelphimorphia), Centro Nacional de Pesquisa e Consevação de Primatas Brasileiros – CPB (Primatas, Cingulata e Pilosa), Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos – CMA (Cetacea, Sirenia e Carnivora aquáticos) e Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas – CECAV (Chiroptera). Foram 17 coordenadores de táxon atuando em oito oficinas de trabalho, e 324 especialistas participaram do processo. Foi avaliado o risco de extinção de 732 táxons de mamíferos, incluindo subespécies de primatas, as duas subespécies do veado-campeiro, Ozotoceros bezoarticus, e uma espécie avaliada mas ainda não formalmente descrita. A Tabela I mostra a síntese do resultado para todos os répteis avaliados.

Dos táxons avaliados, 110 foram oficialmente considerados ameaçados (15%) (Tabela I, excluída a espécie não descrita) e 68 (61%) são endêmicos do país. Uma espécie de mamífero brasileiro está extinta, o rato-de-noronha, Noronhomys vespuccii. Todos os táxons constantes na lista anterior (IN MMA 03/2003) foram reavaliados. Naquela lista, constavam duas subespécies de onça-parda (Puma concolor). Na avaliação realizada pelo Instituto Chico Mendes, foi avaliada a espécie, classificada em categoria de ameaça. Dos outros 67 táxons que eram considerados ameaçados na lista anterior, doze foram excluídos da lista, tendo sido avaliados como Menos Preocupante (LC), Quase Ameaçado (NT) ou Dados Insuficientes (DD). Na maioria dos casos, a saída da lista foi decorrente da obtenção de novas informações ou de ajustes na aplicação dos critérios. Para a baleia jubarte (Megaptera novaeangliae), a saída deveu-se a uma real melhora da situação de conservação: estudos recentes demonstraram que a população da espécie na costa brasileira tem aumentado nos últimos anos. A manutenção da proibição da caça e dos esforços de conservação são essenciais para que a espécie permaneça fora da lista de fauna ameaçada. Os outros 55 táxons que constavam na IN MMA 05/2003 permaneceram na lista atual.

Das espécies de mamíferos que ocorrem no Brasil, 51 são marinhas: 19 espécies de golfinhos, 24 baleias, o peixe-boi marinho e sete carnívoros (lobos-marinhos, focas, leão-marinho e elefante-marinho). Muitas destas espécies marinhas são visitantes ocasionais da costa brasileira, e foram considerados não elegíveis para uma avaliação nacional, tendo sido avaliadas como Não Aplicável (NA). Dessas 51 espécies, oito foram consideradas ameaçadas e têm como principais ameaças a poluição, incluindo a sonora, o abalroamento com embarcações e a pesca acidental. Dos 102 táxons de mamíferos continentais oficialmente considerados ameaçados de extinção, 53 ocorrem na Mata Atlântica, sendo 31 endêmicos do bioma. O Cerrado é o segundo bioma com maior número de táxons ameaçados, 41, sendo 12 endêmicos, seguido da Amazônia (35 táxons, sendo 20 endêmicos). O Pantanal tem 16 táxons ameaçados (nenhum endêmico), a Caatinga 15 (três endêmicas) e o Pampa 11 (quatro endêmicas). Duas espécies amazônicas de água doce são ameaçadas: o peixe-boi amazônico e o boto-rosa. Para elas, as modificações ambientais provocadas por barramentos e a captura representam as principais ameaças. A perda de habitat e a fragmentação decorrentes de atividades agropecuárias representam as principais ameaças aos mamíferos continentais. A caça e captura de animais na natureza para diversas finalidades – consumo, retaliação ou para criação como pet – aparece como a segunda ameaça mais relevante para os mamíferos continentais (Figura 1).

Anfíbios em Extinção

O Brasil possui a maior riqueza de anfíbios no mundo, com 1.080 espécies atualmente reconhecidas, pertencentes a três Ordens: 1.039 Anura (sapos, rãs e pererecas), cinco Caudata (salamandras) e 36 Gymnophiona (cobras-cegas e cecílias), sendo que muitas espécies novas foram descritas nos últimos anos. O processo de avaliação dos anfíbios brasileiros avaliou o risco de extinção das 973 espécies que eram conhecidas no território nacional até meados de 2014. Para avaliar as 973 espécies de anfíbios, foram realizadas cinco oficinas de trabalho entre 2010 e 2014, coordenadas pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN). O processo contou com a participação de 76 especialistas da comunidade científica. Quarenta e uma espécies (4,2%) foram consideradas ameaçadas de extinção, estando listadas no anexo I da Portaria MMA n° 444/2014). Uma espécie foi considerada extinta (Phrynomedusa fimbriata) (Tabela I).

Todas as espécies ameaçadas possuem distribuição restrita. A maioria, 37, é exclusiva da Mata Atlântica, outras três ocorrem no Cerrado, uma na Caatinga e uma na Amazônia. Apenas uma espécie ameaçada não é endêmica do Brasil (Hypsiboas curupi). Todas as 16 espécies que constavam na lista anterior (IN 03/2003) permaneceram na lista atual (Phrynomedusa fimbriata já era considerada extinta na lista de 2003). Assim, houve um incremento de 26 espécies, o que pode ser atribuído não apenas à piora de situação de conservação das espécies, mas também ao maior conhecimento que se tem hoje sobre os anfíbios brasileiros. A perda de habitat é apontada como a principal ameaça aos anfíbios, decorrente, em sua maior parte, de atividades agropecuárias, seguida da expansão urbana. A poluição, seja urbana, industrial ou agrícola, também aparece como uma ameaça relevante aos anfíbios (Figura 1).

Para algumas espécies, foi detectado declínio  populacional severo, porém as razões do declínio não são totalmente conhecidas. Este fato, somado ao elevado número de espécies DD, evidencia a necessidade de continuidade e incremento de pesquisas com os anfíbios brasileiros.

Répteis em Extinção

A avaliação dos répteis brasileiros foi coordenada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN), que avaliou todas as espécies continentais de Testudines (tartarugas, cágados e jabutis - 31 espécies), Crocodylia (jacarés - 6 espécies) e Squamata (lagartos, serpentes e anfisbênias - 690 espécies), e pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas e da Biodiversidade Marinha do Leste (TAMAR), que avaliou as cinco tartarugas marinhas. No total, foram sete oficinas de trabalho, que avaliaram o risco de extinção de 732 espécies (incluindo cinco serpentes avaliadas mas ainda não formalmente descritas). As oficinas contaram com a participação de 111 especialistas da comunidade científica. A Tabela I mostra a síntese do resultado para todos os répteis avaliados.

As cinco espécies não descritas, embora já com indicação de que estão ameaçadas, não estão incluídas na portaria MMA n° 444/2014. Portanto, oficialmente, 80 espécies (11%) de répteis são reconhecidas como ameaçadas no Brasil. Dois táxons que constavam da lista de espécies ameaçadas anterior (Instrução Normativa MMA 03/2003) não foram incluídos na lista atual: Dipsas albifrons cavalheiroi e Anisolepis undulatus. Dipsas albifrons cavalheiroi, antes classificada como Criticamente em Perigo (CR), é endêmica da ilha da Queimada Grande, em São Paulo. No entanto, em revisão taxonômica de 2005, a população da ilha não foi considerada morfologicamente diferente das populações do continente. Assim, foi avaliada a espécie Dipsas albifrons, categorizada como Menos Preocupante (LC). Anisolepis undulatus, considerada na IN 03/2013 como Vulnerável (VU), é conhecida no Brasil de apenas um registro no Rio Grande do Sul, datado de 1834. Em uma reinterpretação das informações, foi categorizada como Dados Insuficientes (DD) pelos especialistas, que consideraram não haver informação suficiente para uma avaliação adequada da espécie. As outras 18 espécies de répteis que faziam parte da lista de 2003 continuam ameaçadas 62 foram consideradas ameaçadas oficialmente pela primeira vez. O aumento de espécies ameaçadas é reflexo não apenas da piora da situação geral de conservação dos habitat naturais, mas também das novas informações obtidas pela comunidade científica nos últimos anos. Das 62 espécies que estão sendo listadas pela primeira vez como ameaçadas, 20 foram descritas depois de 2002, quando ocorreu a avaliação que resultou na lista de 2003. Dentre as espécies ameaçadas, encontram-se as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no país. Apesar dos esforços contínuos de proteção e monitoramento dos sítios reprodutivos das espécies, o grande declínio populacional que elas sofreram no passado as colocam como ameaçadas de acordo com os critérios de avaliação, considerando também a sua longevidade e o longo tempo para atingirem a maturidade sexual. Embora a coleta de ovos e de fêmeas para alimentação humana não seja uma ameaça significativa atualmente, as espécies ainda sofrem com a ocupação desordenada em áreas costeiras, que afeta os locais de nidificação, e com a captura incidental em diferentes modalidades de pesca. A única espécie de quelônio continental considerada ameaçada no Brasil é o cágado-de-hogei (Mesoclemmys hogei), que é encontrado na bacia do rio Paraíba do Sul. A região é uma das mais densamente habitadas do país, e a principal ameaça à espécie é degradação e alteração de seu habitat, provocadas por desmatamentos das matas ciliares, lançamentos de esgotos domésticos e industriais sem tratamento, atividades de mineração e construção de barragens. As avaliações das serpentes, lagartos e anfisbênias contaram com uma análise detalhada da perda de habitat dentro da área de distribuição das espécies, algo inédito até então, para um grande número de espécies, nas avaliações de risco de extinção da fauna brasileira. Foram quantificadas, por meio de dados oficiais (Projeto de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas Brasileiros por Satélite (PMDBBS/ IBAMA), a perda de hábitat histórica e recente (entre 2008 e 2010) na distribuição de cada espécie. A grande maioria das espécies de serpentes, lagartos e anfisbênias ameaçadas de extinção possui distribuição bastante restrita ou ocorre em habitat bastante específicos. Das 80 espécies de répteis oficialmente consideradas ameaçadas, 72 são endêmicas do Brasil. As demais possuem a maioria dos registros na região sul do país, ocorrendo também em países vizinhos dessa região. A Mata Atlântica é o bioma com o maior número de espécies ameaçadas de extinção (39 das 80), seguido pela Caatinga (21 espécies) e Cerrado (17 espécies). A Amazônia e o Pampa possuem seis espécies cada, e o Pantanal, duas. A perda e a alteração do habitat provocadas por atividades agropecuárias foram apontadas como os principais fatores de pressão, seguida da expansão urbana. Também foram mencionadas como ameaças relevantes às espécies a mineração, os empreendimentos relacionados à obtenção e distribuição de energia e o turismo desordenado (Figura 1).

Aves em Extinção

As aves são o segundo grupo de vertebrados mais diverso no Brasil, perdendo apenas para os peixes, com um total de 1.903 espécies reconhecidas até 2014. São encontradas em todos os biomas brasileiros e no ambiente marinho-costeiro, sendo a Amazônia o bioma com maior número de espécies. O processo de avaliação do estado de conservação das aves brasileiras, coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE), foi realizado entre os anos de 2011 a 2014 e assumiu como lista de aves brasileiras aquela publicada, em 2014, pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. Este processo contou com o trabalho de nove coordenadores de táxon e 86 especialistas da comunidade científica que se reuniram em nove oficinas de avaliação. Esse trabalho levou à categorização de 1.979 táxons (incluindo subespécies e duas espécies avaliadas mas ainda não formalmente descritas que, portanto, não constam na portaria MMA n° 444/2014). Como resultado, a avaliação diagnosticou 236 (11,9%) táxons ameaçados de extinção (Tabela I).

Três táxons foram considerados extintos em território brasileiro: o maçarico-esquimó (Numenius borealis), o peito-vermelho-grande (Sturnella defilippii), e a arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus) e três táxons endêmicos do Brasil foram considerados extintos globalmente: o gritador-donordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti); o limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) e o caburé-depernambuco (Glaucidium mooreorum). Em comparação à lista da fauna ameaçada anterior (IN 03/2003), houve um incremento de 100 táxons e a retirada de 23. Três subespécies (Dendrocincla fuliginosa trumaii, Cercomacra laeta sabinoi, e Pyrrhura lepida coerulescens) foram consideradas inválidas pelos especialistas, e não foram avaliadas. Dos outros vinte, a maioria foi excluída devido à obtenção de novas informações. Apenas duas espécies de aves que saíram da lista tiveram uma mudança genuína em sua situação de conservação: a araraazul-grande, Anodorhynchus hyacinthinus, beneficiada por ações de conservação, especialmente na região do Pantanal, e o albatroz-de-sobrancelha, Thalassarche melanophris, beneficiado por acordos internacionais relacionados à atividade pesqueira. Duas espécies que eram avaliadas como Extintas (EX) na lista passada, o maçarico-esquimó, Numenius borealis, e a arara-azul-pequena, Anodorhynchus glaucus, foram categorizadas como Regionalmente Extintas (RE), uma vez que só estão extintas em território nacional, enquanto o limpa-folha-do-nordeste, Philydor novaesi, antes classificado como Criticamente em Perigo (CR), foi considerado Extinto (EX). Dos 234 táxons oficialmente considerados ameaçados, 160 (68,4%) são endêmicos do Brasil. O bioma com maior número de táxons ameaçados é a Mata Atlântica (120), seguido pela Amazônia (65). Em seguida, vêm o Cerrado e a Caatinga (34 táxons cada), o Pampa (16) e o Pantanal (13). Outros vinte táxons ameaçados de aves são marinhos. As principais ameaças às aves brasileiras apontadas durante o processo de avaliação foram o desmatamento e a fragmentação de habitat oriundos de atividades antrópicas, especialmente aquelas relacionadas às atividades agropecuárias e a expansão urbana (Figura 1). Outras ameaças relevantes são as queimadas e a captura de animais, seja para consumo ou para o comércio ilegal para servirem como animais de estimação.

Peixes em Extinção

O termo “peixes” refere-se aos organismos aquáticos brasileiros que fazem parte das classes Myxini, Chondrichhtyes (Subclasse Euselachii e Infraclasse Elasmobranchii e Subclasse Holocephali) e Osteichthyes (Subclasses Actinopterygii e Sarcopterygii). Na avaliação do estado de conservação conduzida pelo Instituto Chico Mendes, foram avaliadas 4.506 espécies, incluindo uma espécie avaliada mas ainda não formalmente descrita que, portanto, não consta na Portaria MMA n° 445/2014. Esse número corresponde a 37% de todas as espécies da fauna brasileira avaliadas e a cerca de 13% dos peixes conhecidos do mundo. Dos peixes avaliados, 3.148 são continentais, representados por espécies de Actinopterygii (3.130), Elasmobranchii (17 raias) e Sarcopterygii (uma espécie), correspondendo a 70% do total. Os peixes marinhos totalizaram 1.358 espécies, assim distribuídos: Actinopterygii (1.201), Elasmobranchii (146), Holocephali (6) e Myxini (5). Das espécies avaliadas, 41% (1.761 continentais e 89 marinhas) são endêmicas do Brasil. O maior número de espécies ocorre no bioma Amazônia (1.724), seguido pelos biomas Marinho (1.358), Mata Atlântica (995), Cerrado (983), Pantanal (247), Pampa (229) e Caatinga (199). As primeiras oficinas para avaliação das espécies de peixes ocorreram em 2008. Três centros especializados do ICMBio foram responsáveis pelas avaliações: Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Sudeste e Sul – CEPSUL, responsável pelas avaliações das espécies marinhas, e dois centros responsáveis pelas espécies continentais, CEPTA – Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Aquática Continental, e CEPAM – Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica. Deram apoio ao processo, com avaliações pontuais, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas e da Biodiversidade do Leste - TAMAR e Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas – CECAV. Ao todo, foram realizadas 23 oficinas no período de 2008 a 2014, sendo 12 para os peixes marinhos e 11 para os peixes de água doce. Como resultado do processo de avaliação, 410 espécies de peixes foram consideradas ameaçadas, correspondendo a 9,1% das espécies avaliadas (Tabelas I, II e III). Os resultados foram oficializados na lista de peixes e invertebrados aquáticos ameaçados de extinção no Brasil (Portaria MMA n° 445/2014).

A primeira espécie de peixe considerada oficialmente ameaçado de extinção foi Pimelodella kronei, incluída na lista oficial em 1998, por meio da Portaria IBAMA n° 28-N/1998. Em 2004, com a publicação da Instrução Normativa n° MMA 05/2004 (e alterações da IN MMA 52/2005), o número de peixes ameaçados aumentou para 154, sendo 19 espécies marinhas e 135 continentais. A lista atual (Portaria MMA n° 445/2014) aumentou o número para 409 espécies (98 marinhas e 311 continentais). Em comparação com a lista de 2004, houve a exclusão de 24 espécies da lista e a inclusão de 279, o que representa um acréscimo final de 255 espécies. Das 130 que permaneceram na lista, 57 foram reclassificadas em categorias de maior ameaça, enquanto 10 mudaram para categorias de menor ameaça. O aporte de novas informações e o ajuste na aplicação dos critérios da UICN foram os principais motivos para a retirada das 24 espécies da lista, assim como para a reclassificação das demais. A mudança no estado de conservação foi considerada genuína no caso de 15 espécies reclassificadas. Ao se comparar as avaliações anteriores com a atual, é importante ressaltar que foram avaliadas todas as espécies conhecidas até 2014, incluindo as sabidamente não ameaçadas, o que permitiu uma análise mais abrangente e conclusiva sobre o estado de conservação da ictiofauna brasileira como um todo. O aumento do número de espécies descritas e as alterações de categoria verificadas nas listas oficiais nas três últimas décadas também refletem, no caso dos peixes, a ampliação do conhecimento biológico e do entendimento das ameaças e não necessariamente uma mudança nas práticas de conservação, auxiliando a definir um quadro mais realista do estado de conservação das espécies de peixe da fauna brasileira. Essas considerações são importantes, tendo em vista que a relevância dos peixes para a humanidade se confunde com nossa própria história e evolução, indo além de questões ecológicas ou econômicas. Alterações dos ambientes aquáticos provocadas por atividades agropecuárias, como a remoção de matas ciliares, são a principal ameaça às espécies de peixes continentais. Em seguida, aparecem os barramentos dos rios relacionados à geração de energia, enquanto a sobrepesca ocupa a quinta posição entre as ameaças identificadas (Figura 1). Já para as espécies marinhas, sobrepesca é a ameaça mais relevante. Também destacam-se a poluição, os transportes, incluindo a construção de portos e abalroamento por grandes embarcações, a expansão urbana e a aquicultura, que afetam os ambientes costeiros (Figura 2). Figura

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