A vida selvagem prospera na zona do acidentes nuclear de Fukushima

Foto: JAMES BEASLEY

Em 11 de março de 2011, um violento tsunami sacudiu a costa leste do Japão e causou danos à usina nuclear de Fukushima.

Grandes quantidades de material radioativo foram liberadas no meio ambiente e causaram o pior acidente nuclear desde o desastre de Chernobyl, em 1986. Mais de 100 mil pessoas foram evacuadas.

Uma raposa vermelha olha para uma das 106 câmeras que foram colocadas para estudar uma grande área

Em janeiro, a revista especializada Frontiers in Ecology and Environment publicou um estudo mostrando como, apesar da contaminação radioativa, a vida selvagem voltou a prosperar nessa área. Os cientistas descobriram populações abundantes de animais nas áreas que foram atingidas.

Um dos líderes da pesquisa, o biólogo James Beasley, explica que o estudo, realizado entre 2016 e 2017, coletou, com câmeras colocadas em 106 lugares, mais de 267 mil imagens de 20 espécies de animais selvagens.

Esta é, diz Beasley, “a primeira avaliação em larga escala das comunidades de mamíferos em Fukushima” e o primeiro estudo das populações de vida silvestre na área levando em consideração a situação peculiar da baixa presença humana.

Foto: JAMES BEASLEY

Dois macacos em uma área de Fukushima que foi atingida pelo acidente nuclear e permanece desabitada.

Ele afirma que Chernobyl e Fukushima foram enormes tragédias para a humanidade, que, agora, ‘representam importantes laboratórios em que estudos podem ser realizados para entender os efeitos da exposição crônica à radiação em plantas e animais”.

O especialista acredita que “o fato de a vida selvagem estar se saindo bem nos territórios evacuados em torno de Chernobyl e Fukushima é um testemunho da resistência da vida selvagem quando não há pressão humana direta, como a perda e fragmentação de seu habitat”. 

Foto: JAMES BEASLEY

Ação humana pode ser pior do que radiação para a vida selvagem, diz pesquisador

E é um sinal de que as zonas de exclusão podem abrigar “populações abundantes e autossuficientes” de várias espécies. “Mas é importante observar que isso não sugere que a radiação seja boa para a vida selvagem, sabemos que altos níveis de exposição aguda à radiação podem causar danos genéticos”, diz o cientista.

“Mas ela mostra que os efeitos das atividades humanas cotidianas são piores para muitas espécies da vida selvagem do que quaisquer efeitos potenciais da radiação.”

Beasley indica que ainda há muito a ser conhecido sobre o impacto dos acidentes nucleares de Chernobyl e Fukushima nos animais, incluindo por meio de análises individuais.

Foto: JAMES BEASLEY

Este serau japonês é uma das 20 espécies que Beasley e sua equipe conseguiram detectar na área

E ele destaca que, “embora a vida selvagem pareça se beneficiar da criação dessas novas áreas, muita gente foi afetada” pelos dois desastres.

Apesar disso, ele se sente um pouco otimista em relação a um desafio global: “Ainda há tempo para conservar muitos animais ameaçados e em perigo de extinção em todo o mundo, desde que possamos lhes proporcionar um habitat suficiente”.

Fonte: BBC Brasil

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