Sesc é multado em R$ 2.000 por explorar galos em peça

O Sesc Santos foi multado no valor de R$ 2.000 pela Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura de Santos por violar a Lei da cidade ao permitir o uso de animais, no caso quatro galos, no espetáculo espanhol “4”.

O gerente da unidade, Luis Ernesto Figueiredo, assinou a autuação. Na porta da instituição, protetores dos animais seguravam cartazes com palavras de ordem como ”Exploração não é diversão” e ”Show sim, exploração animal não”.

Galos usam tênis na peça ''4'', do Mirada – Foto: Divulgação

Galos usam tênis na peça ”4”, do Mirada – Foto: Divulgação

A peça abriu a quarta edição do Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos nesta quinta (8) e foi reapresentada nesta sexta (9), com protesto de defensores dos animais na porta da instituição.

Na obra, quatro galos surgem calçando tênis em suas patas. Os atores enfiam as aves dentro de suas roupas. Outro segura o animal, enquanto toca guitarra em volume alto.

Alguns espectadores sugeriram que os galos pudessem estar dopados, já que demonstravam reação lenta. Mesmo quando um drone sobrevoou as aves, elas ficaram paralisadas, enquanto suas penas balançavam ao vento causado pelas hélices próximas. A reportagem viu a peça e realmente os galos não tinham reação comum a animais de sua espécie, pareciam paralisados em muitos momentos.

Dentro do teatro, durante a sessão desta sexta (9), uma espectadora, gritou, aos prantos: ”Isso é maldade o que vocês estão fazendo. Isso é um ser vivo!”. Ela foi repreendida por outros espectadores. Um homem na plateia defendeu a espectadora e gritou também: ”Pessoal, ela está certa! Está errado mesmo”

Lei proíbe uso de animais

A Lei Complementar 508 de Santos, de 26 de novembro de 2004, instituiu o artigo 295 na Lei de número 3531/68, que rege o Código de Posturas do município. Diz o seguinte: “Fica proibida a concessão de alvará de licença, localização e funcionamento aos circos e outros estabelecimentos de diversão que utilizem em seus espetáculos animais selvagens ou domésticos, sendo vedada também a exibição de animais em logradouros públicos”.

O Mirada é uma parceria do Sesc justamente com a própria Prefeitura de Santos. O secretário de Cultura do município, Fábio Nunes, esteve, inclusive, na sessão de abertura, na qual discursou ao lado do gerente regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda.

Além dos animais em cena, a peça ”4” ainda tem no elenco duas crianças, mesmo contando com cenas de simulação de masturbação e de sexo, além de palavrões e de uma imagem gigante de uma vagina projetada junto do quadro ”A Origem do Mundo”, de Gustave Courbet, em um telão.

Galos são manipulados durante a peça ''4'', que abriu o Mirada e gerou revolta – Foto: Divulgação

Galos são manipulados durante a peça ”4”, que abriu o Mirada e gerou revolta – Foto: Divulgação

Grito no saguão

A peça dirigida pelo dramaturgo e diretor argentino radicado na Espanha Rodrigo García, que já causou polêmica parecida na Europa, gerou indignação em parte do público santista. Na estreia, a peça foi aplaudida de forma tímida pelo público.

No primeiro dia, alguns espectadores deixaram o Teatro do Sesc Santos por conta da cena com animais. Uma espectadora bradou no saguão a seguinte frase: ”Eu não tolero ver animais serem maltratados dessa forma”, antes de ir embora. No segundo e último dia da peça, nesta sexta (9), vários espectadores também deixaram a peça, assustados e revoltados com a cena com os animais.

Indignação com maltrato

A protetora dos animais Dafne Pedro Jaune, psicóloga especializada em psicologia canina e participante do grupo Vox Vegan, esteve no protesto na porta do Sesc Santos com um megafone. Ela demonstrou estar indignada com o uso dos galos na peça e com o fato de “a própria Prefeitura de Santos aprovar um evento que fere a lei do município”.

“O uso de animais como entretenimento pelo ser humano é absurdo. Os animais não podem ser expostos, abusados e usados para divertir as pessoas. Isso foge totalmente aos direitos animais”, declarou à reportagem.

Ela ainda lembrou que os galos, “como toda ave, têm seu repouso ao entardecer”. “Esta peça tira os animais de seu horário e ambiente natural e os expõe à iluminação artificial, música alta, movimentação humana e o drone. Além disso, o ator que contracena com o galo põe a ave dentro da calça. Não precisa ir muito longe para entender o porquê de estarmos revoltados de ver o animal ser maltratado deste modo”.

Fonte: Uol / Blog do Arcanjo

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