Rio 2016: salvando mais de 100 gatos abandonados no Maracanã

Na última sexta (5), o mundo voltou os olhares ao Rio de Janeiro durante a cerimônia de abertura das Olimpíadas, realizada no Maracanã. Nos bastidores do espetáculo, entre toda movimentação, o maior estádio de futebol do Brasil também é lar para mais de 100 gatos abandonados. A World Animal Protection vem trabalhando com o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 nessas últimas semanas para realizar um manejo humanitário dos animais afetados pelo megaevento – incluindo as 5 a 6 colônias de gatos que vivem no Maracanã.

Natalia Kingsbury, uma protetora animal que se dedica a ajudar esses gatos há 20 anos, ficou aliviada ao ver alguns dos animais mais fracos e feridos serem resgatados. “Eu estou muito feliz, agradeço muito à ONG por ter olhado para os gatos do Maracanã. São as primeiras pessoas que estão olhando”, disse. Até o momento, 40 gatos já foram resgatados. Todos os animais estão sendo levados a clínicas veterinárias parceiras para serem castrados ou esterilizados, vacinados, vermifugados e transferidos para um abrigo temporário, construído especialmente para a Rio 2016 pelo Comitê Organizador – com o apoio da World Animal Protection.

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“Estamos trabalhando incessantemente para manter os animais seguros durante os Jogos, mas nossa maior esperança é que cada um deles possa encontrar uma família amorosa e responsável”, comenta Rosangela Ribeiro, gerente de programas veterinários da World Animal Protection. A ONG está organizando uma série de feiras de adoção para cães e gatos resgatados próximos às instalações olímpicas, em parceria com a Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais (SEPDA).

Um resgate difícil, mas especial

Um dos momentos mais emocionantes da operação foi o resgate de um gato macho, de pelo amarelado – ainda sem nome. Com um ferimento grave em uma das patas dianteiras, o animal é conhecido da protetora Natalia Kingsbury, que já tentou capturá-lo diversas vezes. “Toda vez que eu trazia o equipamento, ele desaparecia”, conta ela. Na quinta-feira (4), Kingsbury acompanhou uma das equipes de resgate no Maracanã.

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Ferido e assustado, o gatinho amarelo se aproximou repetidas vezes, mas hesitava. Kingsbury teve que intervir, pedindo para que todos os voluntários se afastassem. Uma armadilha humanitária foi instalada com sachês (comida de gato) dentro. “Ele veio andando lá de trás, com dificuldade. Mas ele estava com muita fome, acabou caindo na armadilha”, lembra ela. O gato foi levado para uma clínica parceira, onde teve a sua pata devidamente tratada. Os veterinários acreditam que a ferida seja resultado de brigas com outros gatos e que tenha infeccionado com o tempo. “É provável que a patinha dele não precise ser amputada e que ele consiga andar de novo”, comemorou Rosangela Ribeiro.

Mãezinha e a pequena Tiópia

Outro resgate bastante especial foi o de uma fêmea conhecida como “Mãezinha”. Segundo Kingsbury, a gata já passou por pelo menos 4 gestações desde que vive no Maracanã. “A Mãezinha já teve muitas crias. Umas quatro barrigadas ela já teve e, em cada uma, ela tinha 4 ou 5 filhotes”, lamenta a protetora.

A reprodução sem controle ameaça não apenas a saúde e bem-estar das fêmeas e de seus recém-nascidos, como também agrava o número de animais que vivem abandonados na rua. Gatas como Mãezinha foram priorizadas durante a ação no Maracanã. Ela foi resgatada na última semana e está agora à espera para ser esterilizada e colocada para adoção.

Graças ao trabalho de Kingsbury, ao longo dos anos, algumas fêmeas do Maracanã já estão esterilizadas. Uma delas é a próxima na fila dos resgates. Com um nome inspirado no país Etiópia, essa frágil fêmea é uma verdadeira sobrevivente. “Tiópia” tem pelo menos 6 anos e ainda vive em torno do estádio. Durante esse tempo, ambas as suas irmãs foram mortas brutalmente pelos moradores da região.

“Foi pura crueldade”, se indigna Kingsbury, “elas foram mortas com pancadas na cabeça”. Tiópia sobreviveu. Apesar de mal-nutrida, como muitos gatos do Maracanã que enfrentam anemias e rinotraqueítes constantemente – devido à má alimentação e à queda na imunidade –, a pequena fêmea ainda caminha nos arredores do estádio colossal. E é particularmente querida por Kingsbury. “Nós vamos resgatar ela ainda, tem muito animal para resgatar”, diz, “mas a Rosangela e a World Animal Protection, junto com o Comitê, estão fazendo um trabalho maravilhoso. Minha esperança é que agora os animais do Maracanã possam ter um futuro melhor”.

Solução a longo prazo

Uma das principais preocupações, no entanto, é que o ciclo de abandonos nas proximidades do Maracanã não acabe com os resgates e com o fim das Olimpíadas. Rosangela Ribeiro alerta que – apesar de importante – esta é apenas uma solução temporária. “As pessoas nunca devem abandonar os seus animais. Especialmente no Maracanã, onde são sediados grandes eventos e existe uma grande concentração de pessoas. Os animais acabam feridos. Eles são completamente vulneráveis e dependem da ajuda humana. Abandoná-los é cruel e os submete à fome, doenças, maus-tratos e atropelamentos”, explica a gerente de programas veterinários da ONG.

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Por isso, a World Animal Protection e o Comitê Organizador criaram uma campanha de conscientização sobre a guarda responsável de animais. A ação vem sendo desenvolvida especialmente entre a população que vive na área do Maracanã e em outras comunidades do Rio de Janeiro.

Fonte: Anda

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