Quati invade residência em Campinas e briga com os cães para se defender!

Dizem que a vida de um veterinário é uma caixinha de surpresas! A minha deve ser um container inteiro.

Recebi uma ligação ontem no final do dia, aqui no centro clínico do Planetvet. Um cliente antigo, tutor de três cães, relatou que um animal selvagem, que ele não conseguiu identificar imediatamente, tinha sido atacado pela Pantera, uma cadela SRD de porte grande.

Óbvio que o animal se defendeu e lutou contra Pantera. De quem é a culpa? Lógico que dos nossos governantes, que permitem que as cidades cresçam de maneira desordenada e muitos animais silvestres acabam migrando para os centros urbanos em busca de alimento e abrigo.

Fiquei curioso e pedi para que ele me enviasse uma foto e trouxesse Pantera para os devidos cuidados!

Minha surpresa ao abrir a foto, enviada por e-mail, foi que o animal em questão, era um quati! Animal pouco comum na nossa região!

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Pera aí! Agora temos duas opções! Sei que animais não habituais da nossa região têm aparecido, como lobos guarás, tamanduás, entre outros. Mas o quati é a primeira vez em anos que eu vejo!

Ou este carinha andou bastante para chegar até a Chácara da Barra, bairro praticamente central de Campinas, ou esse menino fugiu de algum lugar! Quatis estão sendo criados como animais de estimação. Tutores que optam por um animal diferente, sem mesmo conhecer a espécie! Existem criadores comerciais autorizados à vender esta espécie, com as documentações legais e tudo mais.

O quati é um animal encontrado em quase toda América, em uma grande variedade de habitats, de quase todos os biomas, mas na nossa região….é difícil.

Esse carinha, com hábitos semi arborícolas vive em bandos de 4 a 20 indivíduos, é praticamente onívoro, se adaptando bem ao cativeiro. São animais diurnos, mas as vezes os machos têm atividades noturnas.

Há três espécies desse pequeno animal, encontrado desde o Panamá (América Central) até a Argentina. Quatis vivem em grandes bandos formados de fêmeas e machos jovens. Com mais de dois anos, os machos já vivem sozinhos, juntando-se ao bando somente na época do acasalamento, que acontece no fim da primavera. Dez ou onze semanas após, a fêmea produz de dois a seis filhotes. Por mais de um mês, estes permanecem em seu ninho no oco de uma árvore. Os quatis se alimentam de minhocas, insetos e frutas. Apreciam também ovos, legumes e especialmente lagartos. Por serem generalistas se adaptam bem as cidades, invadindo casas para comer ração de animais, revirando lixos. Não gosta de água mas pode nadar bem. Dorme no alto das árvores enrolado como uma bola e não desce antes do amanhecer.

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José Eduardo, tutor da Pantera, disse que quando escutou o barulho no quintal, saiu para ver o que estava acontecendo e se deparou com o quati e Pantera brigando. Conseguiu separar e imediatamente o animal subiu em uma árvore e foi embora. Não tivemos mais relatos do quati, que ainda deve estar na região, revirando os lixos das casas e procurando ração de cães. Que dó! Nenhum animal selvagem merece isso!

Pantera está em tratamento, tomando antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos. Os quatis, assim como outros animais silvestres, podem transmitir diversas doenças, inclusive raiva, por isso o atendimento veterinário nestes casos é tão importante.

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Fica a dica, lugar de animais selvagens é na natureza, não tenham estes animais como pets.

E para nossos governantes: tomem vergonha na cara. Façam leis que preservem o que o Brasil tem de mais belo, os nossos biomas!

fonte: Planetvet

 

 

 

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