Por que os elefantes precisam de suas avós?

A ajuda das avós é fundamental para mães de primeira viagem, seja na hora do primeiro banho, ou com dicas sobre cuidados de saúde e alimentação, não é mesmo? Mas não é só no mundo dos humanos que esse suporte é importante. Um estudo feito pela Universidade de Turku, na Finlândia, descobriu que a presença da avó na família de elefantes pode reduzir em até oito vezes o risco de morte dos filhotes. A pesquisa foi feita com base em dados reunidos ao longo de cem anos sobre a vida de elefantes em Myanmar, na Ásia.

Segundo o líder do estudo, Mirkka Lahdenperä, a diferença é mais notável nos casos de mães jovens, com cerca de 20 anos de idade. Os elefantes vivem em média 80 anos, portanto os grupos reúnem diversas gerações e quanto mais filhotes as avós ajudarem a cuidar, mais chances eles têm de sobreviver. “Avós têm um papel particular importante no sucesso reprodutivo das filhas adultas inexperientes” de acordo com Lahdenperä. Além da redução da mortalidade, as avós ajudam a diminuir o intervalo entre as crias em 21%, segundo conclusão da pesquisa.

O estudo mostrou também que 32% de mães jovens morreram após cinco anos de idade quando a avó não estava no grupo, contra 7% quando ela estava presente. A avó ajuda na criação do filhote, deixando a mãe mais livre e pronta em menos tempo para nova reprodução, e usa da sua experiência para proteger o jovem membro da família, afirmou o pesquisador. A permanência da família reunida e experiência transmitida de mãe para filha é vital para a conservação da espécie, conforme explicou Lahdenperä, o que torna a vida em cativeiro uma ameaça.

“Nos zoológicos, o típico grupo multigeracional é raro e os animais são constantemente movidos entre os locais”, disse o pesquisador, e relacionou a situação à alta taxa de mortalidade de filhotes no primeiro ano de vida, que chega a 50%. Os animais em cativeiro também costumam apresentar problemas de reprodução. Atualmente, Myanmar tem a maior população de elefantes em cativeiro do mundo, estimada em cerca de 6 mil, a maioria dos animais trabalha na indústria da madeira. Eles vivem em campos distribuídos pelo país e possuem carga horária de trabalho controlada.

Mães cuidam dos filhotes até eles completarem cinco anos, e depois são separados para envio ao trabalho. Nas últimas décadas, o número de elefantes na região caiu pela metade, e atualmente entre 38.500 e 52.500 vivem livres na natureza, segundo levantou o estudo. “Ambientalistas e cuidadores dos animais podem aumentar potencialmente a população de elefantes simplesmente mantendo as avós junto às mães de primeira viagem, imitando o que acontece nas famílias que vivem na natureza”, concluiu o membro do grupo de pesquisa Virpi Lumma.

Fonte: Yahoo

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