Manaus (AM) registra média de 800 animais silvestres resgatados anualmente

Cerca de 800 animais silvestres são resgatados anualmente em Manaus. A metrópole, localizada no meio da Amazônia, é cercada por uma fauna e flora rica e singular. A expansão urbana da cidade faz com que os animais percam seu habitat natural e moradores se tornem vizinhos de espécies variadas – algumas com risco de extinção, como o sauim de coleira. Atropelamentos, choques elétricos e a tentativa de torná-los animal domésticos são os motivos principais do resgate de espécimes na capital amazonense.

De acordo com Ibama, os centros de resgates recebem entre 600 e 800 animais todos os anos. Apenas 40% deles são reinseridos na natureza.

Os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama são unidades responsáveis pelo manejo dos animais silvestres que são recebidos após ações fiscalizatórias, resgate ou entrega voluntária de particulares. Nos centros, os animais passam por avaliação para verificar o tipo de tratamento necessário. Em muitos casos, os espécimes estão desnutridos e com marcas de agressão.

“Recebemos animais vítimas de atropelamento, eletrocução, maus-tratos, com ferimentos na cintura e pescoço, em decorrência de terem sido criados amarrados. Muitas aves com asas cortadas, animais desnutridos por dietas inadequadas. Quem pega esses animais para criar acaba dando os alimentos que eles mesmos comem em casa, não se atentam às necessidades da espécie”, aponta o analista ambiental Robson Czaban.

Em 2016, o Cetas do Ibama foi aberto somente em setembro porque passava por reformas. Em duas semanas de funcionamento, 85 animais já estavam no espaço, sendo a maioria aves, mamíferos e quelônios.

Cativeiro

Conforme o analista do Cetas, uma das práticas comuns na cidade é tentar tratar animais silvestres como se fossem domésticos. “Ele está filhote, mas vai crescer e tem suas características, seus instintos que uma hora vão aflorar, podendo se tornar agressivo com crianças, quebrar ou danificar objetos, aí querem se desfazer dos animais”, critica Czaban.

Reinserção

Tirar animais da natureza e criá-los como domésticos podem trazer danos irreversíveis à espécie, como a dependência de humanos, dificuldade de socialização em grupos, sendo condenado a viver em cativeiro.

“Animais silvestres podem ser um risco para os seres humanos assim como os seres humanos também podem transmitir doenças para os animais. Os primatas e felinos são os animais com menor taxa de reinserção na natureza porque são espécies que se desenvolvem em grupo e precisam de interação com o local de origem. O sauim de coleira e sauim de mão dourada, por exemplo, são de áreas distintas e não podem ser soltos em áreas diferentes de seu habitat, pois representam risco tanto para si quanto para os animais que já vivem lá”, disse a a analista ambiental Natália Souza.

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Os animais que não podem voltar à natureza são destinados a entidades registradas por órgãos de proteção animal em todo o Brasil, pois no Amazonas há poucos espaços licenciados para receber esses animais. O Estado tem dois zoológicos em Manaus e um em Tabatinga, todos no limite da capacidade de animais e sem muitas condições de receber mais. Criadores científicos recebem animais específicos, como do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Inpa e do Centro de Mamíferos de Quelônios de Balbina.

As aves tratadas nos Cetas ficam em jaulas, depois passam a viver em grupo em uma gaiola maior onde podem treinar voo. Elas recebem anilhas nas patas com informações sobre o atendimento no Cetas . A anilha permite que os pesquisadores vejam o quanto a ave migrou – como um pássaro resgatado em Manaus que tinha anilhas do Canadá -, que tipo de doença e tratamento teve quando passou por um centro de reabilitação e também a capacidade de sobrevivência depois da soltura.

Invasões e perigo

O superintendente do Ibama, Mário Lúcio Reis, exemplifica as regiões com ocupação irregulares e áreas urbanas com grandes espaços verdes como pontos de maior risco aos animais, principalmente macacos e preguiças pois eles se locomovem por árvores e, quando as árvores são retiradas, acabam usando postes, telhados e até fios de eletricidade para a locomoção.

“Pessoas que residem próximo a áreas verdes ligam para pedir resgate de animais porque estão próximos das casas, principalmente nas áreas próximas do Mindu. Naquela área há muitos jacarés, iguanas, camaleões e estão até prestando um serviço aos moradores, porque se ele está ali, é sinal de que há uma fonte de vida ali. Ele não está se alimentando de gente, mas de ratos e outras pragas”, assegura o superintendente.

Fonte: G1

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