Instituto orienta sobre risco de encalhe no período de desova de tartarugas

A temporada de desova das tartarugas começou e com ela vem a preocupação dos biólogos com esses animais. É que para colocar os ovos as tartarugas precisam percorrer um longo caminho até chegar à costa para desovar. Geralmente esses animais já chegam debilitados e encalham com mais facilidade.

Entre julho e agosto deste ano, 31 tartarugas encalharam no litoral de Maceió, segundo o Instituto Biota de Conservação. De acordo com o diretor do Biota, Bruno Stéfanis, durante o período reprodutivo os animais marinhos estão mais sujeitos à interação do homem.

“Esse período é crítico porque aumentam as interações com o homem, como atropelamento, consumo de resíduos, encalhe nas redes, captura em currais e muitos outros”, afirma.

O biólogo diz que é preciso fazer um trabalho junto aos pescadores e banhistas para evitar essas interações. Ele explica ainda que é preciso respeitar o espaço do animal e não interferir nesse processo.

“O primeiro passo é deixar o animal a vontade e nunca interagir com ele. Não fazer fotos, muito menos tocar. O segundo, é ligar para o Biota, pois com informações da ocorrência podemos saber se ela estar desovando ou encalhada, porque a tartaruga só vem para praia nessas ocasiões”, reforça.

A bióloga Waltyane Bomfim diz que quando o homem interage com tartarugas elas não conseguem desovar e voltam para o mar. “Quando isso acontece elas retornam dias depois. Mas isso causa estresse no animal. Muitas vezes, os ovos são colocados dentro do mar e são perdidos”, afirma.

Danos

No início do ano, o tráfego de veículos nas paria alagoanas ameaçou a desova das tartarugas-de-pente, uma das espécies de tartaruga que habitam no Brasil mais ameaçadas de extinção. Os veículos passaram por cima de ninhos, destruindo ovos e matando pequenas tartarugas.

Biota faz soltura de filhotes de tartarugas (Foto: Jonathan Lins/G1)

Biota faz soltura de filhotes de tartarugas (Foto: Jonathan Lins/G1)

Segundo o Stéfanis, apesar do tráfego ser proibido, era comum encontrar veículos circulando nas praias. Foram feitas ações com o Instituto de Meio Ambiente, Gerência de Monitoramento e da Gerência de Fauna, Flora e Unidades de Conservação nas praias para coibir a circulação de veículos nas praias.

“Na praia do Peba, tivemos várias apreensões de veículos irregulares e o ordenamento do passeio fora da praia. Então houve melhora. Vamos ver como será esse período. Esperamos que nossas ações tenham surtido efeito”, diz.

De acordo com o biólogo, muitos ninhos foram perdidos no ano passado por causa do tráfego de veículos. “Ano passado, perdemos muitos ninhos assim. Sabemos que há causas naturais [compactação da areia] para que isso aconteça”, relata Stéfanis.

Waltyane diz que a região do Litoral Norte é a maior área de desova de tartarugas-pente já registrada no estado de Alagoas. Em média, 70 ninhos são registrados nesse trecho durante o ano. De acordo com informação do projeto Itamar, de 1000 filhotes, apenas dois conseguem atingir a maturidade.

“Nós temos um registro maior de desova no Mirante da Sereia, em uma faixa de 2km. Mas há tartarugas que infelizmente desovam em áreas movimentadas, como as praias de Jatiúca e Cruz das Almas. Por isso, temos que ter uma atenção maior e conscientizar a população”, afirma.

Fonte: G1

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