Expedição de pesquisadores grava ‘conversas’ entre botos no Pará

Uma expedição realizada pelos pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Biologia e Conservação de Mamíferos Aquáticos da Amazônia (BioMA), ligado à Universidade Federal do Pará (UFPA) e à Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), deverá captar os sons emitidos por botos que vivem no município de Mocajuba, no nordeste do Pará.

O grupo composto por biólogos, veterinários e especialistas em equipamentos de monitoramento eletrônico de mamíferos aquáticos irá fixar nas costas dos botos dispositivos eletrônicos com ventosas que permitirão escutar o que os animais “conversam” entre si, além de registrarem informações como a localização, a velocidade, a profundidade e a orientação em que cada boto se encontra nos períodos de silêncio e também de vocalizações. Segundo os pesquisadores, os equipamentos não machucam os animais e já foram usados em pesquisas com mais de 20 espécies de mamíferos marinhos, mas é a primeira vez que serão usados em um “golfinho de água doce”.

De acordo com o biólogo Gabriel Santos, que coordena a ação, um grupo de botos que interage com crianças próximo ao Mercado de Mocajuba já vem sendo acompanhado há pelo menos três anos. Os animais que vivem no município pertencem a uma espécie recentemente descrita (Inia araguaiaensis), mas que, segundo Santos, já se encontra em estado crítico, demandando esforços  para a obtenção de mais informações sobre a espécie para, assim, auxiliar na criação de estratégias para a conservação.

“Poderemos saber mais sobre o comportamento deles quando não os estamos vendo, saber se usam algum local específico para determinadas atividades e como interagem com os humanos. Por exemplo, descobrir se o fato de serem alimentados pelos meninos no Mercado de Mocajuba influi no comportamento do grupo de botos”, aponta o pesquisador.

As informações coletadas serão analisadas e relacionadas com a emissão de sons que caracterizam as “conversas” entre os botos.

“Poderemos definir parâmetros vocais que, futuramente, poderão tornar possível um melhor acompanhamento dos botos, inclusive sobre as ameaças e os impactos que eles sofrem devido ao contato com os humanos”, afirma o biólogo.

Santos revela que já possui várias horas de gravações, em vídeo e áudio, dos botos que vivem em outras localidades, e que algumas descobertas surpreenderam a equipe.

Fonte: G1

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