Estudo conclui que 54 espécies estão sob risco crítico de extinção na Bahia

Um estudo realizado pela Secretaria de Meio Ambiente (Sema), em parceria com mais de 40 instituições, concluiu que 331 espécies de animais estão ameaçadas de extinção na Bahia. Cinco já estão extintas e 54 se encontram em perigo crítico. Os dados revelados pela pesquisa apontam ainda que 133 espécies correm risco de desaparecer, enquanto 141 estão em situação de vulnerabilidade.

Este foi o primeiro estudo realizado para avaliar os níveis de ameaças contra a biodiversidade da Bahia. O desenvolvimento da pesquisa durou mais de dois anos e incluiu pesquisadores de universidades baianas, paulistas, mineiras e pernambucanas, além de parceiros da Suíça e Holanda.

Foram avaliadas 2.607 espécies, sendo que 10% delas apresentam algum nível de ameaça de extinção “Não é um número alarmante, mas é preocupante. Mas não diverge muito da lista de outros estados”, afirma o superintendente de Estudos e Pesquisas Ambientais da Sema, Luiz Ferraro.
A lista completa, disponível ao final da matéria, foi publicada na edição de ontem (16) do Diário Oficial do Estado. Entre as espécies mais conhecidas pela população estão o papagaio-do-peito-roxo, a onça-pintada, o ouriço-preto, o gavião-real, a preguiça-de-coleira, o peixe mero, a jararacuçu-tapete, e a perereca-de-capacete.

Determinadas espécies contempladas pela lista existem apenas na Bahia, como o mico-leão-de-cara-dourada, a lagartixa-de-mucugê e o calango do abaeté, uma das mais ameaçadas e que é encontrada apenas no Litoral Norte do Estado. É o que afirma o biólogo e pesquisador da Universidade Católica do Salvador (Ucsal), Moacir Tinoco.

Calango do abaeté (Foto: Divulgação)

A Secretaria de Meio Ambiente (Sema) afirmou que os dados obtidos pela pesquisa irão nortear a criação de um mapa de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade baiana. “Tudo o que pudermos fazer para que essas áreas sejam mais preservadas, vamos fazer”, promete o superintendente.
De acordo com Ferraro, será realizado também um controle maior na liberação dos licenciamentos ambientais por meio da avaliação do impacto que a atividade terá para a preservação das espécies. “Vai exigir muita atenção e cuidado com essas espécies.” O superintendente disse ainda que os órgãos ambientes passarão a usar o estudo como base para seu trabalho.
Um plano de ação está sendo feito pela Sema em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (IMCbio), que pode prever um plano de repovoamento das espécies afetadas na Bahia.
O desmatamento, segundo o biólogo e pesquisador da Ucsal, Moacir Tinoco, é a principal causa da ameaça de extinção das espécies. “A principal causa do grande número de animais nessa lista é a perda da cobertura vegetal, o desmatamento. Perdemos muitas áreas naturais por conta do crescimento urbano, da agropecuária e indústria. Mas o tráfico de animais também ajuda a aumentar ainda mais essa lista”, pondera o biólogo.

O superintendente de Estudos e Pesquisas Ambientais da Sema, Luiz Ferraro, aponta que a destruição dos manguezais é outro fator que deve ser considerado. “A destruição de manguezais é outro fator, porque os mangues são áreas de reprodução de muitos peixes”, avalia.

O biólogo é um dos pesquisadores que contribuiu com o estudo. Para ele, a pesquisa é uma vitória para a preservação da biodiversidade da Bahia. A lista foi elaborada seguindo a metodologia da União Internacional para Conservação da Natureza (UICM). “Nosso estado é muito rico. Possuímos, aproximadamente, 2.600 espécies só de vertebrados”, afirmou Tinoco em entrevista ao Correio.

Confira abaixo a lista completa de espécies ameaçadas na Bahia, segundo o estudo.

Fonte: Anda

, , ,