Dezoito mil baleias devem passar pelo litoral brasileiro até novembro

Em busca de águas quentes do Banco dos Abrolhos, na Bahia, cerca de 18 mil jubartes devem passar pelo litoral brasileiro até o final de novembro deste ano. O período é considerado de reprodução da espécie, que cresce cerca de 10% ao ano no Brasil.

De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a chegada das baleias é um espetáculo único, que exige muitos cuidados por parte dos seus observadores. Os emalhes em equipamentos de pesca e o aumento atípico do número de encalhes preocupa os pesquisadores.

O Projeto Baleia Jubarte detectou, desde o início de 2016, 46 encalhes na costa brasileira. O número é superior ao de 2015, que registrou 43 encalhes. Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do projeto, classifica o período como atípico. Ele passou até a utilizar o aplicativo WhatsApp para receber avisos de encalhes. “Carcaças de baleias em áreas habitadas são um problema de saúde pública”, esclarece.

O Projeto Baleia Jubarte atende a chamados do litoral da Bahia e do Espírito Santo, áreas com forte presença da espécie. Porém, pode receber avisos de qualquer parte do País e encaminhá-los a organizações que atuam no atendimento a encalhes. A população pode entrar em contato pelo número (73) 98802-1874 ou encaminhar informações pela internet.

Atenção redobrada

Os pesquisadores perceberam que as baleias vêm sendo observadas com maior frequência nessa temporada e em trechos da costa onde apareciam menos, como no litoral paulista. Por isso, é necessário redobrar os cuidados para evitar interferências das embarcações e equipamentos de pesca.

Os pesquisadores acreditam que o aumento no número de encalhes este ano tem relação com mudança no clima. Há indícios de que mudanças provocadas pelo El Niño podem afetar a oferta de alimento na Antártica, segundo explica o pesquisador.

Com isso, algumas baleias chegam muito magras à costa brasileira. Sem forças, depois de percorrer cerca de quatro mil quilômetros, elas encalham com mais facilidade. “O fenômeno ocorreu em 2010, quando tivemos 92 encalhes, o que nos pegou de surpresa. Mas hoje já compreendemos melhor o que acontece.”

Fonte: Portal Brasil

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