Casal de peixes-boi marinhos é solto em rio alagoano

Após quatro anos em cativeiro, o rio Tatuamunha, em Porto de Pedras, em Alagoas, será o novo lar do casal de peixes-boi marinhos Ivi e Diogo. Eles são os primeiros de um grupo de oito mamíferos que vão ganhar a tão sonhada liberdade fora dos tanques do Projeto Peixe-Boi, situado próximo ao Forte Orange, em Itamaracá, Litoral Norte de Pernambuco.

Ivi e Diogo saíram nesta quinta-feira (13), às 20h, e devem chegar ao novo destino às 8h30 desta sexta-feira. O casal será solto em cativeiro natural, numa área de mangue do rio Tatuamunha. Ivi e Diogo foram resgatados por técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ainda filhotes, na praia de Icapuí, no estado do Ceará, onde estavam encalhados. Desde então, passaram a morar em Itamaracá, no Estado. A transporte será acompanhado por técnicos do Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene), com apoio de veterinários e biólogos do Programa Peixe-Boi Marinho e APA Costa dos Corais, vinculados ao ICMBio.

Antes da soltura, será colocada uma antena nas caudas dos peixes-boi. Por meio desse equipamento, de cerca de 40 cm, a equipe vai monitorar os mamíferos por seis meses. São emitidos sinais sonoros para os detectores, o que assegurrá aos pesquisadores de que os animais permanecem no local de soltura.

O coordenador do Cepene, Leonardo Messias, destacou que o número de machos transportados para Alagoas tem sido superior ao de fêmeas nos últimos anos. “Por conta disso, é recomendável a ida de uma fêmea, uma vez que o local tem se mostrado bastante eficiente no processo”, afirmou. Hoje a fêmea Ivi pesa 446 kg e tem 2,65 m de comprimento total. Já Diogo, 318 kg e 2,43 m. A próxima soltura ocorrerá no início de janeiro. Desde 1994, o Cepene já realizou a soltura de 44 animais, sendo o primeiro deles a fêmea Lua.

Com a “despedida” do casal, ficam apenas 13 nos tanques do Projeto Peixe-Boi. Mas, explicou Messias, nem todos terão a mesma sorte de Ivi e Diogo. “Apenas oito irão para o rio Tatuamunha. Os demais, infelizmente, não irão porque são híbridos e isso pode comprometer a conservação da espécie marinha (Trichechus manatus). Mas queremos reintroduzi-los na natureza. Estamos estudando a melhor forma”, adiantou.

O rio Tatuamunha é o lugar mais usado para soltura por estar inserido em uma unidade de conservação. Foi lá que as peixes-boi Quitéria, Lua, Natália e Clara foram soltas. Mas todas acabaram migrando para Pernambuco. “O que é um processo totalmente natural”, acrescentou Messias.

Divulgação

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Fonte: Folha Pernambuco

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