O período de reprodução da tartaruga de couro começou e o Norte do Espírito Santo é o único lugar do Brasil para onde esses animais vão nessa época. Por isso, pesquisadores já estão de prontidão em Regência, no litoral de Linhares, monitorando os ninhos.

Os biólogos fazem esse monitoramento desde 2015 no litoral capixaba. Na Praia de Regência, cada estaca fincada na areia marca um ninho de tartaruga e, de acordo com os pesquisadores, 30 são de tartaruga de couro.

“Nós constatamos que a população está se recuperando, está havendo um crescimento. Tem mais tartarugas de couro a cada ano e isso é resultado do monitoramento que está sendo feito pelo Projeto Tamar, contribuindo para que tenham mais tartarugas a cada temporada”, explicou a bióloga Liliana Colman.

Essa região faz parte da Reserva Biológica de Comboios, onde uma equipe do Projeto Tamar ajuda a preservar esses animais, que estão na lista dos ameaçados de extinção. Eles são tema da tese de doutorado da bióloga Liliana.

“O meu objetivo é saber mais sobre a biologia dessa espécie, que ainda não é completamente compreendida, e também a quais possíveis ameaças estão sujeitas essa população. Queremos saber como proteger essa espécie”, disse a bióloga.

A pesquisa está na última fase e foram instalados transmissores nos cascos de quatro tartarugas fêmeas, para serem monitoradas. Esse acompanhamento é feito via satélite e, dessa maneira, os biólogos conseguem entender melhor o comportamento delas e descobrem a melhor maneira de preservá-las.

“É muito importante saber para onde elas vão, quando estão próximas à costa, onde estão mais sujeitas à pesca e podem sofrer alguma ameaça. Então a gente tá protegendo o ambiente costeiro todo para garantir a proteção”, continuou a bióloga.

Monitoramento

As tartarugas começaram a ser monitorados em 2015, ano em que a lama de rejeitos de minério da Samarco atingiu a foz do Rio Doce, em Regência. Desde então, vinte e cinco foram marcadas.

Na época, biólogos coletaram amostras de sangue desses animais para monitorá-los também quanto à saúde.

A bióloga Liliana explicou que essa pesquisa já começa a dar bons resultados. “É essencial que as pessoas estejam envolvidas, que protejam e façam sua parte também. Buscamos sempre conscientizar e divulgar os resultados das pesquisas, além dos movimentos delas, para que as pessoas descubram junto com a gente para onde elas estão indo”, falou a pesquisadora.

Fonte: G1