A obesidade é hoje uma epidemia global, que afeta jovens e adultos. Certo? Certíssimo. E não estou falando de seres humanos. O que há décadas é verdade para nós tornou-se, nos últimos anos, um problema também para os gatos.

Nos países desenvolvidos, o excesso de peso já é considerado o segundo problema de saúde mais comum entre os felinos, atrás apenas das doenças na cavidade oral (úlceras gengivais, reabsorção óssea, etc.), com claro impacto na qualidade de vida e na longevidade dos gatos.

Por causa disso, os pesquisadores começaram uma verdadeira caçada aos fatores de risco para a obesidade felina. O objetivo é responder à seguinte pergunta: que características de manejo, observadas nos primeiros anos de vida do animal, podem aumentar a chance de o gato crescer obeso? As primeiras conclusões do grupo de Bristol (Inglaterra) acabam de ser publicadas.

O grupo conseguiu que 375 pessoas respondessem a cinco questionários sobre os hábitos e a saúde de seus gatos, entre os dois meses e os dois anos de idade dos animais. Os dados mostram que, aos dois anos, 25% dos felinos já eram obesos e sugerem cinco fatores que contribuem para isso.

O primeiro deles diz respeito exclusivamente ao responsável pelo animal. Pessoas que são expostas a imagens de animais obesos e avaliam que eles estão no peso ideal têm 33 vezes mais chance de criar gatos gordos! Por quê? Porque os alimentam demais.

Gatos que recebem petiscos desde os 18 meses e que comem pelo menos 250 gramas de comida úmida diariamente têm, segundo o estudo, três vezes mais chance de ficar obesos. Um gato de 3 kg precisa de 170 calorias diariamente, mas os 250 gramas de comida úmida oferecem de 188 a 250 calorias.

Também têm mais chance de engordar, segundo a pesquisa, os gatos que comem só comida seca, que é mais calórica do que a úmida. O ideal é oferecer uma dieta mista, mas respeitando a exigência calórica do animal.

Por fim, tudo começa muito cedo: gatos que têm sobrepeso com um ano de vida têm dez vezes mais chance de se tornar adultos obesos. A exemplo de humanos, portanto, os hábitos alimentares na primeira infância parecem pesar muito nessa balança.

Fonte: Folha de SP